| MOTIVE OS SEUS FUNCIONÁRIOS! |
* Ricardo Jordão Magalhães O inimigo da verdade não é a violência, é o silêncio. Você é o seu trabalho. Não troque a sua vida e o seu tempo por alguns míseros reais ou dólares. Eu não aceito as suas desculpas para ficar parado. Eu não aceito você como você é. Se eu aceitar você como você é, você ficará pior com o tempo; por outro lado, se eu tratar você pensando que você será aquilo que você pode se tornar, eu vou ajudar você a atingir esse objetivo. Dois dos meus melhores amigos estavam me contando as suas experiências recentes com seus respectivos chefes. Um deles dizia: "Eu gosto da empresa em que eu trabalho, eu gosto dos produtos que nós vendemos, eu gosto da indústria, eu gosto dos meus colegas, eu gosto do que eu faço; a única coisa que eu não suporto é o dono da empresa. Ele atrapalha tudo e me desmotiva totalmente... Se ele não estivesse por lá, eu estaria 100% engajado no trabalho! Quando ele aparece no escritório, tudo anda para trás; quando ele vai para Angra dos Reis, tudo flui". O outro amigo, que chegara duas horas atrasado para o nosso encontro pré-carnavalesco, dizia: "Não existe nada de especial na empresa em que eu trabalho. A indústria em que estamos inseridos está caduca. Nós vendemos o quê todos vendem. Somos os mais caros. Não temos um diferencial verdadeiro. Sobra gente burra e muitas dificuldades, mas eu adoro o que eu faço porque o dono da empresa é 'O cara'. Hoje eu cheguei atrasado porque eu troquei as duas últimas horas por uma reunião muito divertida com o meu chefe sobre como resolver um pepinaço de um cliente insatisfeito". "Como você pode admirar um cara que é dono de uma empresa que não tem nada de especial?", eu perguntei a ele. "Sejamos francos", ele respondeu, "Qual é a diferença entre o Ford EcoSport e o CrossFox, da Volkswagen? Entre o McDonalds e o Burger King? Entre o notebook da Dell e o notebook da HP? Entre a Nike e a Reebok? Entre a TAM e a Varig? Entre a Vivo e a TIM? Entre o Bradesco e o Itaú?" "Hum... Deixe-me pensar... A agência de propaganda?", eu disse. "A liderança!", ele disse. Meu amigo é bastante modesto - ou realista, como ele prefere dizer. A empresa em que trabalha não é "tão igual" às outras e nem tão burra como ele diz. Eles têm os seus milhares de clientes, os seus milhões em vendas, o seu quinhão do mercado. O que ele estava tentando reproduzir eram as palavras do seu amado guru - o dono da empresa -, com quem aprendeu a ser realista, colocar os pés no chão, enfrentar a realidade, atacar os problemas de frente. "Nós não somos os melhores ou os maiores. Nós não somos os mais bonitos ou os mais baratos. Nós não temos a melhor qualidade e o melhor atendimento. Nós somos o que cada um de nós fizer hoje por cada cliente que servimos. Quem diz o que somos é o cliente, e não nós. "Ele tem razão!", eu disse. "Todo restaurante grã-fino tem o seu dia de 'mosca na sopa'. O que diferencia um restaurante do outro é como cada um lida com esse problema quando ele aparece". "Exatamente!", meu amigo completou. "É incrível ver alguém como você falando desse jeito", eu disse a ele, "Você é tão baladeiro, tão focado na sua vida pessoal, tão anti-business... O que esse chefe tem de tão especial que faz você trabalhar além do horário?". "Ele não tenta me motivar com o tradicional falatório 'boring-to-boring' que o mundo dos negócios tanto gosta de promover... Go-to-market, core competencies, customer centric, missão crítica, market share, estado-da-arte, trabalho em equipe e win win. Ele sabe que eu não preciso de nenhuma nova idéia para me motivar. Ele compreende que os melhores funcionários não precisam de motivação. Ele entende que todos nós temos contas a pagar, sonhos a realizar, viagens a concretizar, famílias para educar, idiomas para aprender. Ele é maduro. Ele sabe que não é só ele que quer ter um Porsche, uma casa em Angra dos Reis, um iPod, sossego em casa, jantar romântico em restaurante grã-fino." E disse mais: "Os melhores seres humanos do mundo não precisam de motivação. Eu tô cheio de razões para madrugar e tardar no escritório. O que eu preciso é direção, pulso firme, convicção, execução. Eu quero quebrar tudo como todo mundo quer; o que eu preciso é de alguém para dizer com clareza o que eu tenho que fazer para chegar lá, e me cobrar a todo momento resultados por meio de questionamentos que me façam crescer como ser humano, e não como uma máquina de core competencies que tem que aumentar o market share e o go-to-market só porque a meta é crescer 20% sem nenhum plano claro para chegar lá." "Eu não tenho tempo a perder. 'Time is money', inclusive para os peões como eu, principalmente para peões como eu, que não têm onde cair duro, que não têm 'time free' nem 'money free' para enforcar a semana do Carnaval. O meu chefe é um exemplo de ser humano que sabe valorizar a vida e o tempo dos outros. Tudo que eu tenho que fazer faz sentido, tem propósito, leva para algum lugar. Ele diz corajosamente o que cada um deve fazer, o que cada um irá enfrentar pela frente, qual é o papel de cada um, aonde vamos chegar, como e o que cada um tem que fazer para chegar lá, como devemos nos comportar, o que não será tolerado, o que eu devo esperar dele e o que ele espera de cada um de nós. Eu, definitivamente, não tenho tempo a perder. Eu não preciso de motivação, eu preciso de direção!", o meu amigo completou. Nessa, o meu primeiro amigo acordou do transe que havia caído. "Você está certíssimo! O que eu mais gostaria de ter é um chefe que fosse o mesmo cara no início do mês e no final do mês, no início do trimestre e no final do trimestre. A impressão que eu tenho é que não existe direção nenhuma de nada nem de ninguém. O cara é diretor, mas não direciona nada. O cara é elite, mas não dá inspiração. O ano começou há 20 dias e até hoje não temos nenhum planejamento estratégico!". "Não precisa", disse ele, "o ano começa depois do Carnaval. O que mais me desmotiva é ter um chefe que não direciona o nosso Titanic para um lugar inspirador, para um lugar que faça sentido, não só para mim, mas para melhorar o mundo. Para 2010, pelo jeito, o plano estratégico do ano é vender! Só isso." "Se o plano é vender, nós vamos quebrar. Ninguém com um plano desses sobrevive muito tempo. Ninguém. Eu quero ver pulso firme na empresa para cobrar todos sobre a necessidade de encarar a realidade de trabalhar juntos, integrados e alinhados rumo a um mundo melhor, mais aberto, mais criativo, longe das tarefas que não fazem sentido", completou. "Parabéns a vocês por terem um tão fantástico senso crítico, maturidade, visão do todo e preocupação com o futuro das empresas em que vocês trabalham", disse eu."A melhor maneira que existe de nos diferenciar da concorrência é liderar o cliente. Não esperar por direção, mas liderar; não esperar por harmonia, mas gerar conflito de idéias. Nós fazemos isso quando falamos a verdade e expomos os nossos planos. Portanto, qual é o plano de cada um de vocês para liderar o seu chefe?". Eu poderia colocar aqui algumas dicas sobre como liderar o seu chefe, como eu já fiz outras vezes, mas hoje eu não vou fazer isso. A mensagem de hoje é para a elite, para os chefes, para aqueles que dirigem sem direção, comandam na coerção, impõem suas idéias sem nem mesmo perceber o que fazem. Parem de motivar os seus funcionários! Motivação é o ópio! As pessoas não precisam de motivação para enfrentar o desafio das metas; as pessoas precisam de diálogo, clareza e direção. Cerca de 11 mil brasileiros possuem mais de 90 bilhões de dólares em dinheiro e propriedades fora do Brasil, algo como 25% do PIB brasileiro, algo como menos de 1% da população brasileira. Eu sei que é muito mais fácil deixar o dinheiro rendendo lá fora do que trazer para um país socialista-corrupto como o nosso. Eu sei que é muito mais fácil investir em dólar enquanto enganamos as pessoas com motivação, porém, o potencial de talento que temos por aqui é imenso, a vontade de fazer acontecer é tremenda, o retorno sobre o investimento pode ser muito maior do que os cassinos de Monte Carlo. Existem cidades inteiras para construir, escolas e universidades para levantar, tecnologia para desenhar, saúde, transporte, infra-estrutura, energia, alimentação, turismo, entretenimento, cultura, e acima de tudo, exportação. Vamos fazer um pacto. Vamos fazer a diferença. Vamos ser a elite da inovação, da honestidade, da responsabilidade, da ética, da moral, do exemplo, do diálogo, da clareza, da direção. Vamos ser essa elite por apenas um ano, 365 dias, sete dias por semana, 24 horas por dia, para mudar de vez toda uma geração que está preparada para a mudança, para mudar de vez todo esse país, uma pessoa de cada vez. Você quer motivar os seus funcionários? Seja a mensagem, e não o mensageiro. Nada menos que isso interessa. * Ricardo Jordão Magalhães é fundador e presidente da BIZREVOLUTION; ajuda pessoas e empresas a descobrir o que elas têm de melhor, quebrar paradigmas e inventar o futuro por meio de consultoria, treinamento e publicações. |
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