Restaurar é o mesmo que recuperar, renovar, reparar, revigorar, restabelecer, dar novo esplendor, segundo o dicionário da Língua Portuguesa. Verbos usados em frases do tipo: “a segunda quinzena deste mês, a planilha de custo do projeto executivo será concluída e enviada à Caixa Econômica Federal para aprovação. Assim que o banco devolver o processo, a Prefeitura estará apta para abrir a licitação para a contratação da obra de restauração”.
Foi assim que a Secretaria de Desenvolvimento da Cidade (Sedec), explicou quando questionada sobre a recuperação do Museu Capixaba do Negro (Mucane). Enquanto aguardam o fim do prazo dado pela Sedec, os alunos do Mucane sentem medo ao entrar no salão principal do museu, usado como sala de aula de canto, nas manhãs de sábado. E o motivo é obvio: o piso de madeira está frágil, algumas partes soltas e entre uma fresta e outra, o andar de baixo fica amostra.
A cada passo, o ranger da madeira cansada que resisti ao tempo, chega rivalizar com as cordas vocais dos alunos. “É muito ruim. As madeiras do piso estão altas, velhas e eu fico até com medo de caminhar lá em cima”, comentou uma aluna que pediu para não ser identificada.
O prédio, erguido em 1912, está aparentemente, com a estrutura totalmente abalada. Do lado de fora, paredes estão esburacadas, a fiação está exposta e as janelas não existem.
Nos fundos do prédio há um terreno baldio onde, segundo a Sedec, será construído um prédio anexo ao novo Mucane. O nova estrutura deverá abrigar, a princípio, três salas, dois banheiros, área de serviço, área livre para eventos externos e jardim (térreo).
Oficialmente o Ministério do Turismo já liberou desde 2007 o recurso de R$ 1.200.000,00 para a execução a restauração. Caso o projeto não seja entregue até março de 2010, a verba será suspensa.
Além de possuir as paredes e o teto fragilizados, o Museu do Negro não tem estrutura para manter funcionamento. Isso porque, Washington Anjo dos Santos é o administrador, professor, zelador e guia. E quando ele falta, as aulas simplesmente não acontecem. Como no último dia 11 de julho.
Alunos de Vitória, Serra, Vila Velha, Viana e até do interior do Estado ficaram do lado de fora do museu, porque o administrador precisou faltar por motivos pessoais. E quem chegou às 8 horas para a aula, precisou voltar para casa com o instrumento musical na mão e decepcionado. “Não fomos comunicados de que o museu não estaria aberto hoje (sábado). Cheguei às 8 horas, fui até a casa do Washington para buscar a chave e abrir, mas ele não estava em casa”, contou uma aluna.