Vitória é uma das cidades mais limpas do Brasil. O serviço de limpeza urbana, feito com perfeição, é notado no dia a dia por todos os moradores da Capital. Mas é fato, também que nem todos colaboram com a higiene das ruas e praças.São produzidas 300 toneladas de lixo domiciliar por dia no município de Vitória. Ou seja, são 8,5 mil toneladas por mês. Esse é o resultado do trabalho dos 1,2 mil garis e coletors de lixo da cidade, que reclamam da falta de educação de grande parte da população, que insiste em jogar lixo no chão.“Muitas pessoas têm a mania de jogar lixo em vias públicas”, afirmou o gari Marcio Antonio Alves. “Alguns alegam que se não jogarem lixo nas ruas, os garis não terão trabalho”. Esse pensamento medíocre e egoísta não ajuda em nada o desenvolvimento da cidade.“Se todos acharem que não temos trabalho, fica difícil fazer a limpeza, pois o que já encontramos,como as folhas que caem das árvores, já é muito. Não é preciso ninguém ficar jogando lixo nas ruas para nos dar trabalho. Quando as pessoas veem os bairros limpinho, não imaginam o trabalhão que temos todos os dias ”, afirma Marcio, que é gari há três anos. A falta de educação de alguns parece não ter limites, mesmo vendo que determinado local acabou de ser limpo, tem gente que não dá a mínima para manter a cidade limpa. O gari Marcio conta, ainda, que existem pessoas que, apesar de os verem limpando, é só se virarem para elas jogarem lixo no chão. “Dessa maneira fica complicado deixar as ruas limpas. Isso é um desrespeito com o nosso trabalho”. Apesar de ser complicado trabalhar diretamente com o público, a gari Creuza Costa diz que ama o que faz por poder ter contato com as pessoas e por não estar todos os dias no mesmo lugar. “Gosto de trabalhar como gari porque é um serviço que me permite conhecer muita gente. Adoro mesmo! Mas, lógico, tem seu lado negativo. As pessoas jogam lixo demais nas ruas. Não respeitam a própria cidade. Existe lugar aqui em Vitória que é conhecido como calçada das fezes. As pessoas levam seus cachorros para passearem e não limpam a sujeira que esses animais fazem. Muitas vezes atolamos nossas botas nessas fezes”, contou Creuza. Ainda sobre a terrível falta de bom senso e educação de alguns cidadãos, Marcio diz que as pessoas são abusadas e acham que os garis são escravos e não trabalhadores. “Existe uma senhora, em Jardim Camburi, que faz questão de pegar o lixo que está dentro de sua varanda e jogar na calçada. Nem se quer faz o uso de sacolas de lixo. Mesmo quando ela nos vê na rua, ela faz a mesma coisa. Trata o nosso trabalho com descaso. Como pode ficar limpo, se nem o próprio morador não respeita o lugar em que vive?” questionou. Mas Marcio, assim como Creuza, gosta do que faz por saber que a grande maioria das pessoas colaboram com a cidade. “Graças a Deus existe gente consciente, que não fica jogando lixo no chão. Algumas passam por nós e desejam um bom dia verdadeiro, dão um sorriso. Esse lado bom é que nos motiva a continuar trabalhando. Pois, apesar de tudo, esse contato é muito bom, fazemos amizades, conhecemos gente de todas as classes e, até, nos divertimos muito”.
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